

Quase que por um impulso, ela escrevia, escrevia de tudo, por tudo e para tudo, como uma forma de dizer ‘empresta cá teu peito porque a dor não tá cabendo só no meu’. Via um pássaro mais verde do que os outros ia logo descrevê-lo desde a cor até o canto, e se via um casal mais assanhado que o outro, ia logo comparar a doçura do amor com a inquietude da paixão. Dependia do encanto, da pequenez, de enxergar a cada minuto uma beleza diferente, em situações diferentes, com gente diferente. E via mais beleza na moradora de rua do que na rainha do pop. Encontrava o mais belo que poderia achar para definir vida na grandeza do olhar de uma criança qualquer e conseguia fazer da mais estranha canção um hino a ser repetido pelos quatro cantos do mundo. Fazia líricas com detalhes, mas não era detalhista. Ia se fortalecendo a cada repulsa que tinha com as feiuras que reparava cá ou lá, e escrevia sobre a Lua, e sobre a saudade, e sobre a brisa leve que jogava seus cabelos para trás e embaraçava-os todos. E embaraçava-se com as palavras, buscava sinônimos de sentimentos, mas nunca encontrava ao certo expressões que definissem exatamente o que por hora estava a pensar. Era num pé só que surpreendia a si mesma, e fazia novos conhecidos, e mandava notícias, e quase que de forma antiquada, escrevia cartas que nunca seriam entregues. E também usava de vai e vens, repetia caminhos só para ver se encontrava alguma mudança por lá. Tinha gente que deixava uma vontade de ver outra vez e também tinha gente que passava despercebido, gente essa que a despedir era a melhor atitude. Mas não era antipática, escrevia simpatia, demonstrava atenção e fazia sorrir o padeiro da esquina e fazia chorar o filho da patroa, e fazia pensar o padre da igrejinha e fazia apaixonar-se o vizinho. Era um ‘auê’ só todas as vezes que decidia escrever sobre o jogo de futebol, mas também escrevia sobre as bailarinas do programa de televisão, mas não assistia televisão, preferia vida ao vivo, que pudesse ser visto e tocado, vivido e cheirado, como o buquê de rosas vermelhas que recebera outro dia de sei lá quem com um bilhete amassado escrito uma frase pequena e assinatura anônima. E gostava do cheiro de chuva também, esse era difícil de escrever sobre. Do barulho de chuva também era apreciadora, e das flores molhadas ao amanhecer, e do orvalho, e do sereno, e do serenar. Ficava por horas observando o Sol se por e quando por fim o rei dos céus desaparecia na imensidão, ela com um gesto de humildade abaixava a cabeça e agradecia por mais um dia de vida. Não fazia a mínima questão de ser notada, gostava da quietude, preferia notar os outros e anotar sobre eles. (…) deixou herança, e deixou cartas, e lamentações, e recados suicidas de dias ruins, e declarações de amor para o carinha que morava do outro lado da rua, e deixou também ‘eu te amo’s’ que nunca teve coragem de dizer à mãe, escritos com grafia bonita, e deixou nostalgias boas para quem a conheceu. E viveu. E andou. E aproveitou uma vida a qual poucos vivem. Uma vida de verdade, sem aumentativos, tudo na simplicidade. E não se arrependeu. E amou, e teve amor, e passou amor, e morreu em paz.
E daí o mundo abrigou um grande exemplo de vida, que não precisou de fama para fazer da vida um palco perfeito.
(via deteriorate-d)
(Source: p-l-e-n-i-t-u-d-e, via memorias-amargas)

Eu nunca fui o tipo de pessoa que as pessoas fizessem questão de se aproximar, a cada dia que passa eu vejo uma a uma se afastar, mais e mais. Eu só gostaria de ter alguém que estivesse comigo, que nunca se afastasse, que por mais que eu errasse, ainda estivesse comigo, que não desistisse de mim. Eu nunca fui um tipo de pessoa que despertasse interesse nas outras, nunca fui o tipo de pessoa totalmente certa. Eu erro, eu erro muito, eu assumo meus erros, mas algumas pessoas ainda não tem o dom de perdoar, eu já vacilei muitas vezes, já magoei pessoas que eu nunca tive intenção de magoar, já machuquei pessoas que eu nunca quis machucar, mas eu acho que elas deveriam tentar me entender um pouco, só um pouco já seria suficiente, que não desistissem de tentar me ajudar, que não me abandonasse quando eu mais precisasse. Eu vi as pessoas partindo, jogando na minha cara que estavam indo embora por culpa minha. Eu nunca disse um “a”, eu não disse nada quando ás vi partindo, eu deixei, na esperança que voltassem, que talvez nem virar a esquina virassem, mas elas se foram, de verdade. Nem sequer deixaram eu dar minha explicação. Sempre me acusando de ser a culpada de tudo, como se eles nunca tivessem me magoado, como se eles nunca tivesse me ferido, mas sim, eles me feriam, me magoavam e eu não abria a boca para falar nada, por mais que eu estivesse certa. Eu sempre deixei passar quando pisavam feio na bola comigo, enquanto isso, eles me julgavam sem parar por alguns erros meus, me criticavam e eu ainda assim aguentava tudo calada, eu não queria brigar por bobagens nossas, mas isso virou uma bola de neve, começou por uma coisa pequenina e foi aumentando, eu não aguentei mais, quando vi a pessoa que mais amava também partindo, eu resolvi colocar tudo pra fora, dizer verdades na cara de cada um, coisa que eu nunca havia feito e eles mereciam ter ouvido a muito tempo, eu não me importei se eles ligariam para aquilo, se ficariam com mais raiva ainda, talvez fosse a primeira vez que eu não me importasse com o que pensariam ou achariam de mim, eu disse tudo o que queria, tudo o que mereciam ouvir e acredite, foi a melhor coisa que fiz em toda minha vida.

Eu acho que deveria parar de correr atrás de você, cansei sabe? Cansei de ser idiota e ficar correndo atrás de quem não dá nenhum passo por mim. Cansei de ficar aqui todos os dias imaginando coisas que nunca irão acontecer, ficar imaginando conversas que nunca acontecerão. Simplesmente cansei de sofrer por alguém feito você, um tremendo idiota, que nunca deu valor em mim, nunca deu valor nos sentimentos que senti por você. Nunca deu valor em nada que fiz pra você, que fiz por você. Nesse momento deve estar com os amigos ou com aquela vadia que você vive pegando. Eu só espero que ninguém faça com você o que você fez comigo. Não, minto. Eu quero que façam com você tudo o que fez comigo, para você ver o quanto dói ter o coração partido, o quanto dói ter alguém brincando com teus sentimentos e não dando valor em nada do que você fez para agrada-la.
(via nada-poeta)

